14 de Setembro de 2009

Simplicidade

Todo o mistério da vida revelado...
renascer com um doce e suave toque do teu olhar no meu...

11 de Setembro de 2009

três anos depois...

este belo exemplar reside num Taxus baccata,
vulgarmente conhecido por Teixo, em Sintra

... há que limpar as teias...
... que as aranhas continuam a tecer o futuro.

13 de Dezembro de 2006

Perguntas Convencionais


- O que é morrer?
Perguntaste-me, com a ingenuidade a pairar-te no olhar...
Inesperadamente, e sem comprometimentos de maior, respondi-te:
- Morrer é ter saudades tuas...

12 de Dezembro de 2006

Voz numa pedra


Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal



Mário Cesariny
1923-2006

24 de Novembro de 2006

Eu


Dragão de Fogo - Fogueira de Beltane
Évora
E que a força do medo que tenho...
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que oiço ao longe seja linda, ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja sempre amada mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
E a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas; como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento
Porque metade de mim é o que eu oiço
Mas a outra metade é o que eu calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na alma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro seja recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso...
E a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
Que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflicta em meu rosto um doce sorriso que me lembro de ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui...
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo...
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta mesmo que ela não saiba,
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer
Porque metade de mim é a plateia...
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é Amor...
E a outra metade...... Também!

Oswaldo Montenegro